sexta-feira, 10 de abril de 2009

Comum Mortal

É a andar no meio de florestas tão virgens
Ao contrário de mim,
Já tão cheio de impurezas
E de escárnios repugnantes
De pedaços de homem que sou.

Deixo-me ser batido
Pelos troncos centenários,
Pelos picos afiados das silvas e dos tojos,
Mas não me importo.

O vento dança com as folhas,
No topo das árvores.
No topo da minha pessoa,
Onde já não há nenhum resquício de mim.

Gostava eu que também dançasse comigo.
E assim faríamos um culto,
Um culto à Natureza.
Senhora minha mãe,
Deusa de mim.

Não sou Deus,
Nem Jesus,
Mas nada,
Isso,
Não o sou.

Sou o que serei.
E o que fui.


Entro na estrada.
Saio da floresta.
Saio de mim.
Voltei a ser homem,
Humano.

Comum mortal..


28-03-2009

4 comentários:

eduardo maria morgado disse...

"Ao contrário de mim,
Já tão cheio de impurezas
E de escárnios repugnantes
De pedaços de homem que sou."

parabéns (:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

inda bem que não sonho ser crítica de arte ou de outra coisa qualquer e neste caso crítica da arte da escrita ,não tenho jeito nenhum para falar sobre ou dar uma opinião jeitosa, um comentario bonito vá!, só sei que este que escreveste é o meu preferido gosto tanto, o meu cerebro fica todo coise e bem...haha gosto!

Anónimo disse...

Adoro o teu poema.